Samyra Show: 'Já desanimei, sim, mas desistir nunca!'

Dona de uma das vozes mais poderosas do forró, a cantora já enfrentou um câncer, passou por uma bariátrica e, hoje, curte o sucesso por todo o Brasil

Daniel Vilela

Samyra Show é um fenômeno! | <i>Crédito: Chico Cerchiaro/Divulgação
Samyra Show é um fenômeno! | Crédito: Chico Cerchiaro/Divulgação

Não é só a voz de Samyra Oliveira que é absoluta, viu? Batalhadora e cheia de força, a artista, famosa como Samyra Show,   sempre soube dar a volta por cima quando a vida tentou nocauteá-la. “Me considero uma pessoa abençoada e vitoriosa por ter superado tantas barreiras”, pondera ela, que, com mais de 20 anos de estrada, caiu nas graças do público de todo o país com a canção Amor Bandido.

Houve até campanha para que a música, apenas um dos inúmeros sucessos de Samyra, fosse trilha de Bibi Perigosa, vivida magistralmente por Juliana Paes em A Força do Querer (2017). “A música parece que foi feita para ela”, brinca a musicista.

Natural de Juazeiro do Norte (CE), a estrela começou a cantar aos 13 anos em uma banda de forró do seu bairro. “Desde pequena, costumava brincar de dublar minhas cantoras preferidas até o dia em que, realmente, passei a soltar a voz e alguém falou que eu tinha talento”, rememora.

Ninguém, no entanto, disse que ia ser fácil chegar até aqui. Após passar por uma cirurgia bariátrica – Samyra chegou a pesar 110 kg! – a musa acabou descobrindo um câncer de colo do útero em 2011. “Não desisti da vida e muito menos da carreira nem nos dias mais difíceis, na sala de radioterapia”,  por exemplo, diz emocionada.

Casadíssima com o empresário Fabiano Quixadá e mãe de Bruno, 21 anos, e Breno, 19, a cantora sente-se realizada em romper as fronteiras do Nordeste e ter êxito por todo o país. “Muita gente no Rio e em São Paulo me pergunta quando vai ter show por lá”, comenta, divertindo-se e dando um show neste bate-papo!

 

TITITI – Como a música surgiu na sua vida?

Samyra Show – Sempre gostei de música. Na infância, em Juazeiro, brincava muito de cantar e as pessoas começaram a notar que eu era até afinadinha (risos). Então, na minha rua, surgiu uma banda de forró e todos os dias, voltando da aula, passava horas na janela espiando os ensaios. Até o dia em que pedi para fazer um teste e passei! Tinha 13 anos.

 

A família apoiou no começo?

Minha mãe tinha medo. Eu era muito nova e ela se preocupava muito em eu me envolver com álcool ou drogas. Antigamente, o pessoal tinha muito essa visão sobre a profissão, né?

 

Lembra o que fez com o seu primeiro cachê?

Ajudei em casa. Vim de família muito humilde e quis trabalhar desde cedo para ajudar minha mãe. Fiz um baita supermercado e a surpreendi!

 

Já pensou em desistir da vida artística alguma vez?

Nada é muito fácil nesta carreira. O sucesso às vezes demora, e isso desanima. Mas sou otimista! Já desanimei sim, mas desistir nunca! Quando você tem um sonho, tem de correr atrás. E corro muito atrás. Acredito no meu trabalho e na minha música, e sei que tudo tem uma hora para acontecer.

 

Considera-se abençoada?

Demais! Por tudo o que já passei. Já fui obesa, pesava mais de 110 kg. Aí que era mais difícil ainda (risos). Existe um padrão que a galera impõe, de ser magra, gostosa. Consegui vencer todas essas barreiras.

 

Hoje, após a cirurgia bariátrica, sente-se bem com o seu corpo?

A gente nunca está 100% satisfeita, né? Sempre quer perder uns quilinhos. Procuro fazer atividade física, tento algumas dietas, que às vezes dão certo e outras não. Estou sempre em briga com a balança. A gente faz a cirurgia, mas a cabeça não muda. Tem que trabalhar isso o tempo todo.

 

Foi um baque enfrentar o câncer?

Há sete anos, sete meses após passar pela bariátrica, descobri um tumor no colo do útero. Meus fãs me mandaram muito carinho e força, me ajudaram a não desistir. Quando se tem câncer, não se pode desistir. Tem que acreditar na cura! E você não sabe como é bom ter alguém ao seu lado nos dias mais difíceis, esperando você voltar aos palcos!

 

Os filhos vão seguir carreira musical ou enveredarão por outros caminhos?

Nenhum deles tem dom para a música. Um quer fazer direito e o outro, psicologia. Artista na minha casa só eu, mesmo (risos).

 

Seu marido também é seu empresário. Dá para separar bem a rotina profissional do dia a dia como casal?

Ele é meu braço direito, cuida de toda a minha agenda. É difícil, mesmo, separar, bem complicado. Contudo, é preciso distinguir as coisas senão acaba cansando o relacionamento. Quando estou em casa, procuro não falar de trabalho, senão vira uma coisa muito chata! Tento reservar um momento exato para falar disso e, nos outros dias, vida que segue. A gente sai para jantar, pega uma praia...

 

Tem algum sonho ainda a realizar?

Todo artista quer ter uma música na novela das 9, em horário nobre, e essa é uma das minhas metas. E quem sabe, um dia, chego a cantar no final do ano com o Roberto Carlos, na Globo (risos)!

28/01/2018 - 10:00

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