Paixão e talento? Muito fácil: Nathalia Timberg!

A diva, que deu lição de interpretação em O Outro Lado do Paraíso, ressalta o apreço pela arte e fala da trajetória de 63 anos de sucesso

Nathalia Timberg deixou saudade com sua Beatriz em O Outro Lado do Paraíso | <i>Crédito: Raquel Cunha / TV Globo
Nathalia Timberg deixou saudade com sua Beatriz em O Outro Lado do Paraíso | Crédito: Raquel Cunha / TV Globo

Com 88 anos de vida e mais de seis décadas de carreira irretocável, Nathalia Timberg está no topo da lista das grandes damas da dramaturgia no Brasil. E após mais de 150 trabalhos nos palcos, no cinema e na televisão, ela também nos brindou com outro papel inesquecível: a Beatriz de O Outro Lado do Paraíso. Na novela, a personagem viveu uma “pobre milionária” internada por anos em um hospício pela neta ambiciosa. No sanatório, conheceu e ajudou a protagonista, Clara (Bianca Bin), em seu plano de fugir e se vingar dos bandidos que também a trancaram lá.   

Desafio emocionante, mas que Nathalia tirou de letra perto de tudo o que batalhou e construiu. Ainda jovem, ao lado do saudoso escritor e compositor Sylvan Paezzo, com quem foi casada por 15 anos, ela fundou o Circo do Povo, um teatro popular localizado em São Paulo. Depois, passou a se dedicar inteiramente ao seu ofício nas artes para sorte de milhares de fãs. Bravo, bravíssimo, grande estrela!

TITITI – Quais foram os maiores desafios encontrados até hoje?

Nathalia Timberg – O de estar aqui falando com vocês. Chegar até aqui é um desafio, sim, mas também um aprendizado. Ele trouxe a vontade de ajudar a falar sobre nós, sobre nossa gente, de poder, por meio do que faço e do que minha carreira e vida construíram, transmitir a vocês algo a mais.

O que a motivou a ser atriz?

Isso vem desde sempre comigo. Fazer teatro se tornou imperativo na minha vida, desde pequena. No início, quando cursava a Escola de Belas Artes, tinha uma necessidade muito grande de me expressar. E, realmente, o teatro foi o terreno em que melhor consegui satisfazer essa necessidade. De todas as atividades, talvez a do intérprete, do ator, seja das mais fascinantes, pois não tem limites, vai fundo na natureza humana, na história do homem, na sua maneira de ser e viver. Principalmente quando você consegue esquecer da sua própria pessoa, e passa a assumir a vida, histórias, aventuras, tristezas, sonhos, e tudo o que nossos personagens possam pensar em viver.

Como foi a construção da apaixonante Beatriz de O Outro Lado do Paraíso?

O que posso dizer é que me mantive aberta à proposta do autor (Walcyr Carrasco), dentro do universo que procurei absorver, das condições também filtradas pelo diretor (Mauro Mendonça Filho), que nos passou sua ótica desse universo. O grande desafio é sempre conseguir transmitir o que queremos a vocês, que estão do outro lado das câmeras.

Com mais de cem personagens, dezenas marcantes, consegue destacar alguns?

Ah, tenho vários... Citar um seria injusto com muitos outros, com uma série de tão belos personagens. Tudo o que sou como atriz está construído na soma desses trabalhos. 

E você também estava há pouco tempo em cartaz no teatro...

Estava com a peça Chopin ou o Tormento do Ideal. Estreei em setembro, em Porto Alegre (RS), e em dezembro nos apresentamos em São Paulo. Estou com Clara Sverner, uma das melhores pianistas do país, e a direção é de José Possi Neto.

E como é estar na TV e nos palcos ao mesmo tempo?

Ah, isso vem há muito tempo em minha vida. Fernanda Montenegro (que também está arrasando em O Outro Lado do Paraíso como Mercedes) e eu sempre fizemos isso. Por toda a vida dividimos um pouco. Eu até digo que descanso de um trabalho fazendo outro, sou meio workaholic (viciada em trabalho), me sinto bem fazendo isso. E acho que encontrei como intérprete um meio de me expressar na vida. Estou bem pra lá de Marrakesh (risos)! E o tempo que ainda me resta, pretendo passar trabalhando.

Acredita na lei do retorno tão falada na trama das 9?

Não acredito em lei disso ou daquilo. Sou aberta a todas as propostas de pensamento e ideias filosóficas. Consigo conviver com uma coisa que o homem normalmente não consegue muito: eu não sei (risos)! De tanto vivenciar novas histórias, vidas, toda uma fantasia que, no fundo, tem suas raízes na realidade, não sinto necessidade de fabular para aquilo que não sei.

Algum tipo de personagem que ainda gostaria de fazer?

Não existe tipo, existe ideia boa, história ou tema que tenha alguma coisa a dizer e acrescentar. A mim não fascina uma figura por ela ser assim ou assado, mas sim o que tem a dizer e passar.

Conselho para quem quer ser ator ou atriz...

Tudo que se quer, realmente, se consegue. Com esforço, abdicando de uma porção de coisas, com foco e uma proposta clara. Então, aos que postulam essa ideia, acho que o trabalho do intérprete, da maneira que considero, pede uma entrega muito grande, uma dedicação quase que absoluta, sacrifício mesmo, de muita coisa para poder desenvolver. Teu horizonte caminha contigo. Então, à medida que você alcança seus objetivos, já está olhando os arredores, e vendo mais coisas a conquistar. Trata-se daquele velho ditado: quanto mais aprendo, mais vejo que não sei nada.

 

04/01/2018 - 17:30

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