Gabriela Duarte: 'Não sou diferente de ninguém e nem quero ser também'

A atriz passou dois anos curtindo um pouco do anonimato nos EUA. Agora, retorna ao país e à TV

Gabriela Duarte | <i>Crédito: Globo/João Cotta
Gabriela Duarte | Crédito: Globo/João Cotta


Acostumada aos holofotes no Brasil, tanto pelo seu trabalho, sobretudo em novelas, quanto pelo fato de ser filha da grande estrela Regina Duarte, Gabriela Duarte passou quase dois anos bem mais tranquilos, misturando-se ao ir e vir dos cidadãos de Nova York (EUA). No entanto, mesmo tão distante de casa, por diversas vezes Gabi, como é carinhosamente chamada no meio e em família, foi reconhecida por turistas brasileiros e estrangeiros, tocados por suas personagens. “Especialmente os russos e dominicanos me abordavam por causa da novela Por Amor (1997), que fez muito sucesso internacionalmente”,  comenta a bela. 

A volta da artista ao nosso país também marca seu retorno aos folhetins. Após uma pequena participação na primeira fase de A Lei do Amor (2016), ela agora integra o elenco de Orgulho e Paixão. 

Na trama de Marcos Bernstein, ela encarna Julieta, uma viúva que enriqueceu comprando fazendas de café próximas à falência e, assim, ergueu um verdadeiro império – fato que lhe rendeu o apelido de Rainha do Café. “Julieta é um café expresso, intenso, forte e com nível de acidez bem alto. É uma mulher forte, que coleciona conquistas num mundo masculino, no qual as mulheres tinham pouca voz e pouca vez. Ela tem me ensinado a ter um senso de autoridade que acho até saudável”, brinca Gabriela. Confira nossa deliciosa entrevista!

TITITI – Julieta é a grande vilã da trama?
Gabriela Duarte
– Ela esbarra na vilania, tem atitudes duras e radicais, mas não chega a ser má. Foi muito maltratada pela vida e isso a endureceu. Passou por um casamento arranjado, de conveniência, com um homem muito mais jovem. Foi mãe cedo, vítima de uma violência. Você vê que a minha idade e a do Maurício Destri, que interpreta meu filho, Camilo, são bem próximas, né? É a primeira vez que vivo a mãe de um adulto. 

Será que ela poderá mudar de comportamento no decorrer da trama?
Quando ela se apaixonar (por Aurélio, vivido por Marcelo Faria), muita coisa vai acontecer. Ah, as pessoas mudam a si mesmas e o mundo por causa do amor!

Sentiu falta dos folhetins?
Fiz uma participação rápida em A Lei do Amor e fui morar em Nova York. Meu marido, Jairo Goldflus (fotógrafo), teve uma oportunidade profissional por lá e a mudança foi uma decisão familiar. Foi muito bom, a missão foi totalmente cumprida, mas meu trabalho é aqui. 

O que a motivou a voltar agora?
O convite para dar vida a essa personagem. Quando conheci a Julieta fiquei encantada. É tão diferente de tudo que já fiz... Um desafio! Ela não tem nada a ver comigo: sua alma é  muito pesada! 

Foi uma grande experiência viver fora?
Sempre fiz tudo o que quis, nunca deixei de viver algo por ser famosa. Não sou diferente de ninguém e nem quero ser. Agora, realmente, morar num lugar que quase ninguém te reconhece é interessante, porque eu cresci sob os holofotes.

Pensa em retornar para os Estados Unidos um dia?
Sempre soube que essa experiência teria início, meio e fim. Vivi plenamente, não fiquei pensando no que me fazia falta. Além disso, minha família estava próxima. Vim com bastante frequência para o Brasil, minha mãe sempre ia para lá... 

Sua mãe estava em Tempo de Amar...Como foi receber o bastão dela?
Ah, o chato é que a gente pôde conviver aqui no Rio por um tempo enquanto as duas estavam gravando. Agora, ela vai voltar para São Paulo e eu sigo aqui. É triste, mas faz parte da vida.

Qual foi o melhor conselho que Regina já deu a você?
Sem dúvida, foi a importância de ter os pés no chão. Simplicidade, sabe? Não importa quem você é. Somos todos seres em transição. Uma hora a gente está aqui, outra lá. Transmito esse aprendizado aos meus filhos, Manuela, de 11 anos, e Frederico, 6, sempre! 

Você e sua mãe são muito parecidas fisicamente...
Não consigo me ver tão parecida com  minha mãe, mas muita gente diz isso. Acho que a gente está em equilíbrio. Ela está muito conservada para a idade dela e eu atingindo uma maturidade. Não sou mais uma menina (risos).

Qual sua maior preocupação hoje ao criar os seus filhos?
Penso: como criar uma mulher no mundo de hoje, para ter a força necessária, mas também ter lucidez?! E um homem? 
Como toda mãe, quero o melhor para meus filhos. Temos muito diálogo. Acredito muito nessa geração. 

E como é educar uma filha num mundo ainda tão machista?
Nunca me senti inferiorizada por ser mulher. Estou atenta para criar uma menina segura, dona de si, que saiba buscar as coisas sem perder a ternura. E quanto ao Frederico, espero ajudá-lo a ser um homem que se insira no contexto democrático!

De que forma administra a distância frequente entre vocês?
Agora que os dois estão mais crescidos,  já entendem bem por que não estou em São Paulo, com eles, e sim aqui no Rio, longe da nossa rotina. A gente se fala, eles sabem o que estou fazendo. Já existe uma maturidade psicológica e fico muito mais tranquila. Além disso, a tecnologia ajuda bastante a matar a saudade: estamos sempre conectados!



08/04/2018 - 18:00

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