Gabriela Dias: ‘Não tem como não me inspirar em minha mãe’

Filha da ativista Kenia Maria, e enteada do ator Erico Bras, a atriz foi eleita musa da Unidos da Tijuca e avisa: ‘aparecer da forma como vou aparecer no carnaval já é um ato político’!

Gabriela Dias: ‘Não tem como não me inspirar em minha mãe’ | <i>Crédito: Daniel Chiacos
Gabriela Dias: ‘Não tem como não me inspirar em minha mãe’ | Crédito: Daniel Chiacos

O samba corre pelas veias da atriz Gabriela Dias. Eleita uma das musas da Unidos da Tijuca para o carnaval de 2018, a bela diz que se sente à vontade entre os tamborins e as cuícas. “O samba é herança, é real. Por ser de herança africana, faz com que eu me sinta em casa”, conta ela que recentemente brilhou na série Cidade Proibida (2017), na Globo.

“Fiz Lourdinha, uma cantora dos anos 1950, e meus pais na trama eram nada menos que Adriana Lessa e Ailton Graça! Está bom para você”, dispara ela, aos risos.

Contudo, não foi a primeira vez que Gabriela fez bonito na telinha. A artista foi backing vocal do padrasto, o ator Erico Bras, durante a primeira temporada do PopStar. “Sou cantora, atriz e dançarina, desempenhar essas funções é o que me deixa mais feliz na vida. Cada passo que estou construindo tem envolvimento com uma dessas profissão, então não tenho como não ficar feliz”, pontua.

Pisar na avenida, para a estrela, é muito mais do que se cair na folia. A musa quer é inspirar e mostrar ao mundo tudo o que ela aprendeu com a mãe Kenia Maria, Defendora dos Direitos das Mulheres Negras pela ONU no Brasil. “Seu discurso é rico em filosofia e sabedoria”, pondera nesta entrevista exclusiva.

TITITI – Sempre foi apaixonada pelo carnaval?
Gabriela Dias
– Principalmente pelo carnaval carioca. Meu bisavô materno, Samuel Gama, desfilava como destaque da Portela e foi casado com Sinhá, sobrinha do grande mestre Natal, um dos fundadores da escola de samba. Essa herança corre nas minhas veias, não tem jeito, tenho a obrigação de preservar essa história.

Como se sentiu ao ser escolhida uma das musas da Unidos da Tijuca?
Sou capricorniana, determinação é a palavra-chave! Virei musa por conta do meu foco, persistência e resistência. Sem técnica, treino e disciplina, não tem talento que resita. Minha mãe, Kenia Maria, que já tem experiência na avenida e foi professora de dança, tem ensaiado e me orientado sempre! Ensaiamos todos os dias. Nada disso aconteceria sem todo o amor que tenho pelo meu trabalho.

E é justamente o seu pai que é seu preparador físico...
Meu pai só vira meu pai fora dos treinos, das praias e academias. Ele é um carrasco (risos), foi jogador de futebol e hoje é treinador, não tem moleza, trabalho é trabalho. Agora que já estamos quase na reta final, treino com ele na areia duas vezes por semana e continuo a musculação na academia.

Foi bem recebida na quadra da escola?
Essa família chamada Unidos da Tijuca me recebeu de braços abertos. A primeira vez que frequentei os ensaios tinha dez anos, quando minha mãe desfilou sob a supervisão do Marcelo Sadryni, que na época trabalhava na tijuca com Paulo Barros. Foi o próprio Marcelo que me apresentou a escola, aí a paixão só cresceu! A rainha Juliana Alves me acolheu e tem me dado altas dicas, ela é um exemplo pra mim. É uma verdadeira rainha! Cada dia de ensaio, na quadra e na rua, tem sido uma escola. O samba está lindo!

E agora, pertinho do carnaval, como é essa preparação?
A preparação continua a mesma. Faço mais exercícios respiratórios e exercícios aeróbicos. Deixo de comer muitas coisas que amo por conta deste período. Fora isso, não é tão difícil porque não bebo, não fumo e sou vegetariana. Não fico me lamentando, estou fazendo o que eu amo, o resultado final é satisfatório.

Como será sua fantasia?
Está sendo confeccionada pelo grande artista que veste musas e rainhas, o estilista Saulo Henrique. O resto é surpresa! (risos).

Sempre sonhou em ser atriz ou foi uma oportunidade que apareceu na sua vida e decidiu agarrá-la?
Em 2017, participei como backing vocal da banda do Erico Bras, meu padrasto no PopStar. Uma produtora da casa me convidou para um teste e eu passei. Quando recebi o telefonema comunicando a minha aprovação, não conseguia parar de gritar! Foi demais! Eu sonhava com isso! Foi ótimo fazer parte daquele elenco incrível com grandes mestres da televisão. Não tem como esquecer a direção de Mauricio Farias, ele foi um mestre, e o elenco inteiro foi muito carinhoso comigo. Fico sem palavras.

Quais seus planos para depois do carnaval?
Faço faculdade de teatro na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e minhas aulas vão voltar depois do carnaval, mas isso não significa que estarei parada. Tenho projetos para a música e quem está cuidando disso é o grande produtor musical Damien Seth. Claro que faço questão de acompanhar tudo, participo das composições, tem muito pop e reggaeton. Começo meu projeto musical no próximo semestre .

Sua mãe é defensora da ONU pelo direito das mulheres negras no Brasil. Ela é uma inspiração para você?
Kenia Maria possui uma força energética incrivelmente inspiradora. Não tem como não me inspirar. Minha mãe debate questões reais e necessárias aqui no Brasil, ela e outras tantas mulheres importantíssimas. Sempre tive a figura da minha mãe me empoderando, junto de referências como a Beyoncé. A Bey nem sabe que é  minha professora, mas um dia eu conto pra ela pessoalmente (risos). 

Também se engaja pelas causas que ela defende?
Sou mulher e sou negra. Automaticamente, tenho que saber do contexto histórico e da situação real em que vivemos. Por ela ser da ONU, está bem informada sobre as questões atuais e estuda muito. Nós trocamos muitos conhecimentos sobre o tema e ela me conscientiza sobre vários assuntos. Eu levanto a bandeira feminina dentro das minhas possibilidades, na minha dança, nas ruas, no meu trabalho em geral e, agora, na Avenida. Esse é o meu protesto. Aparecer da forma como vou aparecer no carnaval já é um ato político.

06/02/2018 - 17:00

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